quarta-feira, 29 de julho de 2009

Viagem por esta Lisboa que adoro

No passado fim-de-semana(fds) recusei-me a engrossar as filas de trânsito para a Costa, ou para a Marginal e fiquei por Lisboa. Fiquei, porque estou neste momento a viver em Lisboa. Numa zona recantada, mas muito exposta às intempéries do tráfego do Marquês, da avenida Fontes P. Melo e avenidas limitrofes. Tem obviamente uma vantagem. Fica no Centro da Cidade. Por isso resolvi aproveitar a oportunidade e fazer uma visita à Baixa, tal como se estivesse a visitar uma cidade no estrangeiro. Foi divertido descer a Avenida da Liberdade, de máquina fotográfica a tiracolo e deambular pelos Restauradores e Rossio, tirando fotografias e apreciando a paisagem. Subi depois pelo elevador de Santa Justa e fui até ao Largo do Carmo, a tempo de ver o render da Guarda, descer até à Rua Garret, pela Rua do Sacramento e alcançar o Largo Camões, onde ainda fiz uma investida ao quiosque da Catarina(Portas), infelizmente sem sucesso. Poucas mesas e muitos turistas sedentos. Voltei para trás e passei pelo Teatro S. Carlos, local dos eventos mais badalados dos últimos dias aqui por Lisboa, o Festival ao Largo, pelas melhores e pelas piores razões. Encontrei uma lojinha de artesanato espectacular na Rua Serpa Pinto (tenho de lá voltar pois estava fechada). As pequenas esculturas em terracota das profissões de Lisboa, os "Santo António" e o restante recheio pareceram-me muito felizes. Ainda tive tempo de passear pela Praça do Munícipio, pela Praça do Comércio onde está uma exposição (gratuita) do José Guimarães dedicada às peças africanas deste escultor. E voltei pela Rua Augusta até ao Rossio, Restauradores e Av. Liberdade. Gostei da limpeza que notei por esta zona, dos cafés abertos, embora o comércio tradicional estivesse fechado, o que é uma pena. Adorei fazer de turista na minha cidade e vou voltar brevemente para visitar a Graça e a Zona de Alfama. Até lá "alfaces".















Fotos: Paulo Simões, 2009

De cima para baixo:

1. Vespa e "Liberdade", 2009

2. Grafitti de Fernando Pessoa ao lado do Café Nicola, 2009

3. Elevador de Santa Justa (3€ subida e descida), 2009

4. Lisboa e o Tejo vista do Carmo, 2009

5. Sombras Portuguesas com o S. Carlos ao fundo, 2009

6. Rua da Conceição e o Eléctrico que lá vem, 2009

7. Rua do Arsenal, para mim que fui marinheiro, 2009

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Argentina, Chile, Uruguai, Brasil

Passaram-se dias, semanas, meses, e este meu recanto ficou esquecido no meio do turbilhão que varreu o mundo, quase colapsou o sistema financeiro internacional, levou um presidente democrata, negro, à cadeira da Presidência da (ainda) maior nação do mundo e demonstrou os perigos da "globalização". Nada como sentir na pele o efeito descrito do "bater das asas duma borboleta transformando numa furacão no outro lado do Mundo". Portugal continuou a sua senda de "sucesso", numa progressiva alienação entre o discurso oficial e a realidade dos factos. Qualquer dia ainda os ouço a dizer que somos finalmente uma "democracia". Nesse dia fujo para bem longe, pois estaremos de certeza numa "ditadura". Cada vez acredito mais que os extremos tocam-se... socialismo, nacionalismo, socialismo, nacional, social, nacional, social-nacionalismo?...
Para esquecer tudo isto estive longe, muito longe, percorrendo locais inóspidos no extremo sul da América.
Fiz 30.000 kms em três semanas, vi glaciares, oceanos, animais, muitos animais no seu habitat natural, longe do Homem e da "Civilização".
Andei a pé, de avião, de barco, de lancha, de bote, de jipe, de monovolume/carrinha, de autocarro, de comboio, de helicóptero.
Fui até ao limite mais a sul do continente, onde o Oceano Atlântico encontra o Pacífico, embora para minha grande pena, não tivesse desembarcado no Cabo Horn.
Passei pelo estreito de Magalhães, canal de Beagle, canal de Murray, rota 3 e 40, pelos Andes e pela pampa Argentina, passei pelo rio da Prata e pela Foz do Iguazu.
Estive no frio glaciar, como se estivesse a viver uma aventura do National Geographic, no calor tropical como se estivesse no século XVI a viver o clima de "The Mission", dos jesuítas, quando os espanhóis e os portugueses eram "gente" neste mundo.
Cheguei com o corpo moído, cansado, mas com o espírito e a alma cheia de tantas aventuras e imagens.
E mais 14 carimbos no meu passaporte!
Deixo-vos algumas dessas imagens que me ficaram na memória.