Passaram-se dias, semanas, meses, e este meu recanto ficou esquecido no meio do turbilhão que varreu o mundo, quase colapsou o sistema financeiro internacional, levou um presidente democrata, negro, à cadeira da Presidência da (ainda) maior nação do mundo e demonstrou os perigos da "globalização". Nada como sentir na pele o efeito descrito do "bater das asas duma borboleta transformando numa furacão no outro lado do Mundo". Portugal continuou a sua senda de "sucesso", numa progressiva alienação entre o discurso oficial e a realidade dos factos. Qualquer dia ainda os ouço a dizer que somos finalmente uma "democracia". Nesse dia fujo para bem longe, pois estaremos de certeza numa "ditadura". Cada vez acredito mais que os extremos tocam-se... socialismo, nacionalismo, socialismo, nacional, social, nacional, social-nacionalismo?...
Para esquecer tudo isto estive longe, muito longe, percorrendo locais inóspidos no extremo sul da América.
Fiz 30.000 kms em três semanas, vi glaciares, oceanos, animais, muitos animais no seu habitat natural, longe do Homem e da "Civilização".
Andei a pé, de avião, de barco, de lancha, de bote, de jipe, de monovolume/carrinha, de autocarro, de comboio, de helicóptero.
Fui até ao limite mais a sul do continente, onde o Oceano Atlântico encontra o Pacífico, embora para minha grande pena, não tivesse desembarcado no Cabo Horn.
Passei pelo estreito de Magalhães, canal de Beagle, canal de Murray, rota 3 e 40, pelos Andes e pela pampa Argentina, passei pelo rio da Prata e pela Foz do Iguazu.
Estive no frio glaciar, como se estivesse a viver uma aventura do National Geographic, no calor tropical como se estivesse no século XVI a viver o clima de "The Mission", dos jesuítas, quando os espanhóis e os portugueses eram "gente" neste mundo.
Cheguei com o corpo moído, cansado, mas com o espírito e a alma cheia de tantas aventuras e imagens.
E mais 14 carimbos no meu passaporte!
Deixo-vos algumas dessas imagens que me ficaram na memória.